O Bloco Siriricando e as mulheres lésbicas e bissexuais no Carnaval de São Paulo

Barbara Falcão
Milena Fonseca Fontes¹

“As conexões com e entre mulheres são as mais temíveis, as mais
problemáticas e as formas mais potencialmente transformadoras no
planeta.” Adrienne Rich

Logotipo

O Bloco Siriricando é um bloco de carnaval de protagonismo lésbico e bissexual que sai
nas ruas do centro da cidade de São Paulo, desde 2016. Fundado por um grupo de mulheres
lésbicas e bissexuais de diferentes matizes, o Bloco Siriricando procura promover espaços de
convívio e fortalecimento da identidade lésbica e bissexual, a liberdade sexual, a
conscientização sobre a reprodução de preconceitos existentes na sociedade brasileira,
considerada machista e patriarcal. Acolhedor a toda a comunidade LGBTQIA+, é baseado

no protagonismo e visibilidade lésbica e feminista, principalmente por meio da música e da
arte. Nas nossas canções, procuramos ressignificar de maneira criativa e bem humorada letras
de conhecidas canções de carnaval brasileiras. O Bloco Siriricando também promove a
coalizão e a colaboração de artistas de diversas áreas, já que se organiza em rede, por meio do
trabalho colaborativo. Também busca formas de intervenção social por meio de
conscientização e economia criativa nos eventos que realiza. Dessa forma, procura atuar
política e socialmente para além do carnaval, no contexto brasileiro, que vive um retrocesso
autoritário, desde 2016.


Palavras chave: Lésbicas, Feminismo, Carnaval, bloco de rua, Bloco Siriricando.

¹Barbara Falcão é mestranda em Letras na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP).
Milena Fonseca Fontes é Mestre em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). As autoras são integrantes do bloco Siriricando desde sua fundação. E-mail: blocosiriricando@gmail.com

Ensaio sobre a regressividade social do Brasil – Ivan Cotrin

Ensaio sobre a regressividade social do Brasil 

 Ivan Cotrim¹

São os enxadeiros, os bóias-frias, os empregados na limpeza, as empregadas domésticas, as pequenas prostitutas, quase todos analfabetos e incapazes de organizar-se para reivindicar. Seu desígnio histórico é entrar no sistema, o que, sendo impraticável, os situa na condição de classe intrinsecamente oprimida, cuja luta terá de ser a de romper com a estrutura de classes.
Darcy Ribeiro

O REENCONTRO COM O PASSADO

Nesta resumida exposição procuramos cotejar duas situações históricas opostas, para desfazer aquilo que as aparências forcejam pela igualação. Nesse sentido, refutar as críticas endereçadas ao atual grupo no poder, os Milicianos Cariocas, tratados como fascistas, por suas expressões e aparência semelhantes a eles, não nos exime de apresentar aspectos históricos que implicam na demonstração do anacronismo histórico aí contido. O que segue é um pequeno esquema, na tentativa de indicar a identidade desse grupo político com a realidade autocrática e retrógrada brasileira, que comporta seu despreparo político e intelectual, suas expressões ridículas e pretensiosas, próprias do caráter profundamente rebaixado que manifestam.

¹ Prof. Aposentado da Centro Universitário Fundação Santo André e da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Pós Doutorado em História Econômica pela USP.